quinta-feira, 23 de janeiro de 2025

Silêncios

Silêncios


No caminho,

Dia, noite,

Luz, sombras,

Verdade, opiniões,

Despertam no Ser

Anseios por silêncios.

Livres

De tempo, espaço,

Duração, explicação.

Com eles convivemos.

Entre Carlos

Entre Carlos

Carlos Henrique da Silva


Quando nasci, um anjo corajoso

desses que vivem convivendo com sua sombra

disse: Vai, Carlos! Conhece-te a ti mesmo.


Carlos amava Teresa que amava Dora

que amava Raimundo que amava Joaquim que amava João

que não amava ninguém.

Carlos, sossegue; o amor

é isso.


E agora, José?

e agora, você?

Você que é angustiado,

que é inconformado,

você que é insaciável,

que tem o coração cheio de desejos,

vamos de mãos dadas.


Meu Deus, meu Deus, porque me abandonastes

se sabias que o presente é tão grande,

se sabias que eu nunca poderia ser você.


Mundo mundo vasto mundo,

se eu me fosse diferente

seria outro; uma rima não me basta.

Mundo mundo vasto mundo,

mais vasto é o meu Ser.


No meio do caminho tinha uma pedra

tinha uma pedra

uma pedra.

Eta vida besta, meu Deus.


Eu não devia te dizer...

nem lua

nem conhaque

nem diabo

penetra surdamente no reino das palavras.

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Miscelânea de textos e excertos parodiados:

1) Poemas de Carlos Drummond de Andrade: “Poema de Sete faces”; “Quadrilha”; “Carlos, não se mate”; “José”; “Mãos dadas”; “No meio do caminho tinha uma pedra”; “Infância”; e “A procura de poesia”;

2) “Conhece-te a ti mesmo” – aforismo grego atribuído a Sócrates e, segundo a História da Filosofia, escrito do Oráculo de Delfos.


Referências bibliográficas:


ANDRADE, Carlos Drummond de. Antologia poética. 12.ed. Rio de Janeiro, RJ: Record, 2010.