Silêncios
No caminho,
Dia, noite,
Luz, sombras,
Verdade, opiniões,
Despertam no Ser
Anseios por silêncios.
Livres
De tempo, espaço,
Duração, explicação.
Com eles convivemos.
por Carlos Henrique da Silva - "Ser poeta não é uma ambição minha/ É minha maneira de estar sozinho (...) Quando me sento a escrever versos/ Ou, passeando pelos caminhos e pelos atalhos,/ Escrevo versos num papel que está no meu pensamento" - Alberto Caeiro/Fernando Pessoa
Silêncios
No caminho,
Dia, noite,
Luz, sombras,
Verdade, opiniões,
Despertam no Ser
Anseios por silêncios.
Livres
De tempo, espaço,
Duração, explicação.
Com eles convivemos.
Entre Carlos
Carlos Henrique da Silva
Quando nasci, um anjo corajoso
desses que vivem convivendo com sua sombra
disse: Vai, Carlos! Conhece-te a ti mesmo.
Carlos amava Teresa que amava Dora
que amava Raimundo que amava Joaquim que amava João
que não amava ninguém.
Carlos, sossegue; o amor
é isso.
E agora, José?
e agora, você?
Você que é angustiado,
que é inconformado,
você que é insaciável,
que tem o coração cheio de desejos,
vamos de mãos dadas.
Meu Deus, meu Deus, porque me abandonastes
se sabias que o presente é tão grande,
se sabias que eu nunca poderia ser você.
Mundo mundo vasto mundo,
se eu me fosse diferente
seria outro; uma rima não me basta.
Mundo mundo vasto mundo,
mais vasto é o meu Ser.
No meio do caminho tinha uma pedra
tinha uma pedra
uma pedra.
Eta vida besta, meu Deus.
Eu não devia te dizer...
nem lua
nem conhaque
nem diabo
penetra surdamente no reino das palavras.
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Miscelânea de textos e excertos parodiados:
1) Poemas de Carlos Drummond de Andrade: “Poema de Sete faces”; “Quadrilha”; “Carlos, não se mate”; “José”; “Mãos dadas”; “No meio do caminho tinha uma pedra”; “Infância”; e “A procura de poesia”;
2) “Conhece-te a ti mesmo” – aforismo grego atribuído a Sócrates e, segundo a História da Filosofia, escrito do Oráculo de Delfos.
Referências bibliográficas:
ANDRADE, Carlos Drummond de. Antologia poética. 12.ed. Rio de Janeiro, RJ: Record, 2010.